sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O SOM E A FÚRIA | Começamos o ano com a mesma ladainha de sempre. Passos assegura que é este o caminho. Cavaco garante que Passos tem razão. Os tempos em que os sacrifícios eram insuportáveis já lá vão. Agora, com os sacrifícios impostos por este governo a atingirem níveis nunca atingidos, e com os resultados pelas ruas da amargura, Belém e São Bento garantem que somos nós que não estamos a perceber a missiva ajustadora. Temos que entender que é assim que se faz. Os ricos têm de ser muito ricos para poderem dar algum aos outros. E os pobres mais pobres sempre podem pedir aos muito ricos à porta da igreja. No fim da missa eles estão sempre muito generosos. Dignidade e direitos dos cidadãos não são leitura inscrita nas enciclopédias que têm nas estantes. E depois temos os esforçados fazedores de opinião. O batalhão de jornalistas/economistas às ordens dos ajustadores continuam assegurando que não há alternativa à austeridade. O futuro que nos está prometido é o da emigração, desemprego, precariedade, cortes salariais para quem ainda tem emprego, mais impostos disfarçados, mais insultos à dignidade humana. O ambicionado crescimento económico povoa apenas as mentes de Cavaco, Pires de Lima, Passos, Gomes Ferreira, Camilo Lourenço, da astróloga da SIC e de todos os adeptos do "sempre foi assim". Este ruído é insuportável. A fúria cresce. É urgente que cresça. Será que quem recebe à porta da igreja está contente com a esmola? 
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