sexta-feira, 14 de março de 2014

O RISO AMARELO DE JOSÉ DE LEMOS | Há por aí quem ainda se lembre destes “bonecos” publicados no já extinto Diário Popular? Com certeza que sim. Pois tomem nota: muitos destes extraordinários cartoons estarão a partir de hoje expostos na Galeria da Casa da Cultura. A abertura é às 21:30 horas. José Ruy foi colega e amigo de Lemos e estará presente para falar dessa amizade.
José de Lemos fez muitas outras coisas sempre ligadas à comunicação ou aos jornais. Foi um generoso contador de histórias para a infância. Escreveu-as e ilustrou-as. Publicou-as em livro e viu-se distinguido com a inclusão destas suas histórias em antologias internacionais.
Este Riso Amarelo que agora se expõe na casarão da cultura, foram crónicas desenhadas e publicadas diariamente no jornal onde trabalhou longos anos. Estas crónicas foram a interpretação crítica dos dias de então. Os ambientes variavam entre casas de família, consultórios médicos, lojas, bares, restaurantes, tascas, esquadras de polícia e as ruas da cidade. Convocou personagens de toda a espécie para verbalizar a crítica: donas de casa, empregados de escritorio, médicos, taberneiros, criados de mesa, putas e gabirus.
O Riso Amarelo foi o sumário do dia. O que acontecia e perturbava, alegrava, ou motivava ira, guiava o lápis de José de Lemos. As histórias penduradas nas paredes desta galeria não têm legendagem. Os diálogos foram excluídos. Cada um pode imaginar a conversa que entender. Fica o rigor da linguagem estética. Desenho único e inconfundível. Estes “bonecos” foram oferecidos pelo artista ao seu amigo Eugénio Fidalgo, proprietário do restaurante Fidalgo, no Bairro Alto. Jantava lá todos os dias. Depois de publicados no Diário Popular, alguns foram parar às paredes desta sua sala de refeições. Mas a maioría é agora exposta pela primeira vez. Estreia expositiva e homenagem a um grande artista.

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