sábado, 5 de fevereiro de 2011

OLHA A NOVIDADE | Jerónimo do PCP, em entrevista a Maria Flor Pedroso, ostentando aquele ar de madre Teresa sofredora, diz que não põe de parte votar moção de censura da direita para alterar o estado das coisas. A defesa do liberalismo passa a ser letra viva no vocabulário do partido. Já agora, por falar em vocabulário, aqui há dias, ouvi o citado senhor Jerónimo preocupado com a proposta de redução de deputados. Corre-se o risco, diz, de deixar de haver - oiçam bem - pluralismo na Assembleia. Notável. O filósofo Barata, mandatário da campanha para a Presidência do senhor Lopes, tinha uma canção (ridícula, é certo), trauteada no tempo em que o homem era cantor (manhoso, é certo), em que arrasava com parva ironia... o pluralismo. Pluralismo era a pior coisa da vida, no tempo em que o Poder acenava. Agora dá jeito. Há quem diga que esta gente tem um dom que os distingue: pelo menos mantém a coerência. Têm razão: a incoerência fica-lhes tão bem, que às vezes parece coerência.
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