quinta-feira, 7 de outubro de 2010



MÁRIO VARGAS LLOSA | Excerto de uma entrevista com o comtemplado com o Prémio Nobel da Literatura hoje anunciado:

"Sempre participei na política como intelectual interessado no confronto de ideias. Nunca me imaginei assumindo cargos. Definitivamente não era a minha vocação. Mas resolvi participar no jogo político num momento muito particular do país (Peru), em que havia uma situação económica crítica, um processo hiperinflacionário que destruía os salários, um populismo que fazia com que o Peru fosse olhado com desconfiança pela comunidade internacional, quando os níveis de vida despencavam e havia a violência social desencadeada pelo terrorismo, com o Sendero Luminoso, os Tupac Amaru e outras organizações radicais. Enfim, senti que a nossa débil democracia poderia desaparecer, por isso resolvi candidatar-me. Além disso, eu acreditava realmente haver um clima favorável para as reformas liberais e democráticas que me dispunha fazer. Foi uma experiência instrutiva e ingrata, também, pela grande violência que a acompanhou. O saldo foi reconhecer que sou completamente incompetente como político profissional".
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