quarta-feira, 20 de outubro de 2010



FAZER CÓCEGAS AO REGIME | A Câmara Municipal de Setúbal resolveu "pegar" no edifício onde funcionou o Círculo Cultural e fazer uma Casa da Cultura. Natália Abreu, do Público, pediu-me opinião sobre os funcionamentos do Círculo e também sobre as possibilidades de existência de uma estrutura semelhante à anterior. Pois não sei. O Círculo foi criado para preencher algo que não existia. Foi um lugar de cultura alternativa, fundado por gente com preocupações políticas e curiosidade cultural. José Afonso é importante referência na casa. Na altura (falamos de antes de Abril de 1974), fazer cultura era ser alternativo. Era ser do contra, como se dizia então. Agora não sei se faz sentido existir insistindo nos mesmos moldes. Os tempos são outros. E correm. Aplaudo a iniciativa da Câmara. Espero que a animação do projecto não caia em vulgaridades para preenchimento de relatórios, mas sim que seja intenso e que perceba como funcionam as estruturas culturais locais. Já agora que seja alternativo, seja lá isto o que for hoje em dia. Diferença precisa-se.
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