quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (8)


Também as músicas que me alegraram a alma e a mente não são dadas a azias ou outras indigestões desagradáveis. Que o lixo sonoro vá para as feiras e romarias e nos desampare a tenda.
Assim sendo, siga a marinha:

Karajan | The Legend Berliner Philharmoniker EMI Classics
Schuber | Sehnsucht Mattias Goerne Harmonia mundi
Leucocyte Esbjorn Svensson Trio ACT Company
In the house of Mirrors Hector Zazou & Swara Craw 47
Farscape Klaus Schulze | Lisa Gerrard SPV
Tindersticks Tindersticks Beggars Banquet Records
Jukebox Cat Power Matador
Med sud í eyrum Sigur rós Emi Records
Meet the Eels Essential Eels Geffen records
Story Teller Marta Hugon Digital Mix Música
Golden Era Rita Redshoes Iplay
Metafonia Madredeus e a Banda Cósmica Farol música

Sem categorização por estilos ou preferências pessoais, aqui fica a lista, que já vai longa.

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (7)


Só as leituras prazenteiras têm aqui lugar. Feita a exclusão dos desabafos de apresentadores de televisão e de argumentistas de telenovela, que não circulam neste território, a escolha fica facilitada e recai nestes contemplados:

As Benevolentes Jonatham Littell Dom Quixote
Os Detectives Selvagens Roberto Bolaño Teorema
A Blusa Romena António Mega Ferreira Sextante
A Ferver Bill Buford Sextante
O Homem em Queda Don DeLillo Sextante
Exploradores do Abismo Enrique Villa-Matas Teorema
Já cá não está quem falou Alexandre O'Neill Assírio & Alvim
O homem sem Qualidades I Robert Musil Dom Quixote
O Arquipélago da Insónia António Lobo Antunes Dom Quixote
A Gestão Segundo a Apple Jefrey Cruikshank Casa das Letras
A Faca não Corta o Fogo Herberto Helder Assírio & Alvim
Património Philip Roth Dom Quixote

E pronto, para o ano há mais. Boas leituras para todos.
Até já.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (6)


Bom
- A libertação de Ingrid Betancourt das garras das FARC.
- A nomeação de Hillary Clinton para o lugar internacionalmente mais saliente da Administração Obama.
- A manifestação de revolta do jornalista iraquiano que se descalçou para acertar em Bush.
- A suspenção das agressões entre israelitas e palestinianos.
Mau
- A eternização no poder de Robert Mugabe.
- A convocação de Sara Palin para candidata a vice-presidente dos EUA.
- A guerra na Geórgia.
- O atentado terrorista em Bombaim, na Índia.
- A falta de pontaria do jornalista iraquiano.
- O fim das tréguas entre israelitas e palestinianos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Estatuto das lamentações


O Presidente amuou por causa do já famoso Estatuto dos Açores. O Governo insistiu. O Parlamento, quase em peso, apoiou a coisa. O PSD, comandado pelo evanescente Rangel, resolveu dar o dito por mais ou menos não dito e absteve-se de responsabilidades. O PCP saltou inicialmente em grande alvoroço mas depois calou e andou. O BE assobiou para o lado e borrifou-se na opinião do Presidente. O Presidente passou-se. Em segunda investida disparou em todas as direcções. Resumindo: um amuo presidencial provoca uma balbúrdia parlamentar. Tudo isto é para lamentar.

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (5)


Bom
- As entrevistas de Ana Lourenço, na SIC-N.
- O regresso de João Adelino Faria às lides noticiosas televisivas, na RTP-N.
- O programa "Quadratura do Círculo", na SIC-N, onde o debate político é sério e creditado.
- "Negócios da Semana", da responsabilidade de José Gomes Ferreira, na SIC-N.
- "Expresso da meia-noite" (tem dias, depende dos convidados, mas não deixa de ser divertido, mesmo quando os assuntos são sérios e os participantes nem por isso), de Ricardo Costa e Nicolau Santos, na SIC-N.
- O fim da liderança de Luís Filipe Menezes. E o fim do pesadelo de ele poder vir a ser primeiro-ministro (lagarto, lagarto).
Mau
- Mário Nogueira e a falta de seriedade das propostas da sua Fenprof.
- O marxismo-leninismo "democrático e parlamentar" reafirmado no Congresso do PCP.
- As vergonhosas prestações de Odete Santos, como congressista e como comentarista televisiva.
- A agressividade parola de Joana Amaral Dias nos debates televisivos da SIC-N.
- As "habilidades" bancárias de banqueiros sem escrúpulos.
- As insistentes inabilidades de Manuela Ferreira Leite.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Voz dos pacientes


Aos domingos, as opiniões dos pacientes que vão chegando via correio electrónico.

O Papa quer papinha - As recentes e graves declarações do Papa Bento não lhe motivaram reacção. Foi distracção ou está a ficar muito católico. O que Ratzinger defende é contra as mais vagas noções de liberdade individual. As convicções que faz valer contradizem a realidade actual. Vá lá diga qualquer coisa.
E perdoe esta brincadeira.
Zé do Sul

Cirurgião de serviço - Não tenho que ter opinião sobre tudo o que mexe. Claro que não estou de acordo com o Papa. Mas não acho que as declarações do líder dos católicos sejam assim tão graves. São assim e pronto. O problema é mais complexo. Se os católicos estão de acordo... saúde e um queijo é o que eu desejo. É por estas e por outros que não vou em missas. As papais opiniões comparadas com as de muitos pregadores protestantes, testemunhas de Jeóvá e outras seitas ainda mais indescritíveis, são coisa de menino de coro. Quem acredita nessas "divindades" está disponível para ouvir e dar atenção aos seus guias espirituais. Seja por ignorância, seja por convicto extremismo. Aquilo, para muita gente, é a normalidade. Todos têm o direito de acreditar nas ficções que quiserem. Pela parte que me toca agradeço que bem longe. JTD

Regional - Vivo em Setúbal e acho estranho não ver aqui comentários ao que vai acontecendo. Você nasceu cá, não foi? Não conhece o que tem sido feito à volta de Bocage, António Maria Eusébio e Sebastião da Gama? Ou não quer falar disso?
Carlos Dias

Cirurgião de serviço - Tal como já disse no comentário anterior, não tenho que ter opinião sobre tudo o que mexe. E não, não estou interessado em falar nisso. JTD

sábado, 27 de dezembro de 2008

Natal 2008

O Hamas passa a vida a fazer das suas. Recentemente provocou mais umas mortezitas entre uns insignificantes israelitas. Os israelitas, que não embarcam na redutora apreciação, responderam com armas pesadas. Diz-se agora que foi excessivo. Acontece que os homens não praticam a pequena guerrilha. Quem vai à guerra dá e leva.
Só que há uns que dão com mais força. E quem sofre mais é quem menos tem. Sempre foi assim. São os males da guerra.
Tudo isto se passa nas redondezas do local onde nasceu Cristo.
Perdoai-lhes Senhor...

Deambulatório

Aos sábados, opiniões escolhidas entre as publicadas nas redondezas.
Limpinho - Manuel Alegre diz que quer tudo limpinho: “Que as forças conservadoras se assumam e que a esquerda seja esquerda.” Nada mais simples. O retrato desse mundo vem nos manuais, explicado com clareza e ilustrado por esquemas providenciais que mostram duas cores distintas – a da esquerda e a da direita. Infelizmente, essa realidade a duas cores está longe do espectro em que as pessoas se movem: aqui e ali contam mais as tonalidades, as sombras, os declives e até as aparências. Geralmente, queremos que os outros sejam como achamos que eles devem ser. Mas o problema é que a realidade, muito sacana, vem atrapalhar tudo e encher a vida de surpresas. No caixote de lixo da história e da política há bastantes desses manuais feitos para gente simples; alguns nem para reciclar são úteis.
Francisco José Viegas A Origem das Espécies

Porque lutam os professores? - Nestes dias, vésperas e dias de Natal, percebe-se melhor do que em qualquer outra altura o significado da luta dos professores. Os hospitais estão cheios de médicos, enfermeiros e outros trabalhadores que não podem passar a consoada com os filhos, com os pais, com quem vivem; os hotéis estão cheios de recepcionistas, bagageiros, empregados de mesas; como os hospitais e os hotéis, as estações de serviço; restaurantes, transportes públicos, táxis; e por aí fora. Ganhar acima da média, sair cedo e ser promovido em função do decurso do tempo e não do mérito são privilégios a que os professores se habituaram. É pela manutenção desses privilégios que os professores lutam, se mobilizam, se manifestam. O resto é conversa fiada.
Tomás Vasques Hoje há conquilhas

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (4)


Bom
- José Luís Rodriguez Zapatero ganha as eleições em Espanha e continua como primeiro-ministro.
- George W. Bush vai-se embora dia 20. Provavelmente nada será como nos últimos anos. Esperemos que não volte.
Mau
- Putin arranja um presidente à sua vontade e continua os atropelos à democracia, mas como primeiro-ministro. As trocas de gabinete são para continuar, pelos vistos.
- Berlusconi regressa ao Governo italiano.
- Pedro Santana Lopes insiste.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (3)


Bom - Há vinhos que marcam: os de Ermelinda de Freitas já nos habituaram às melhores referências. Este Syrah de 2005 chegou para vencer. Foi o que achou o júri de um concurso que decorreu em França no passado mês de Março. "O Melhor Vinho do Mundo" decretou quem sabe. Pelo menos para o concurso daquele mês foi. Mas, é claro, a escolha mais competente é nossa. Enquanto houve garrafas por abrir lá em casa andei por perto da opinião do tal júri. Agora já outros aromas e paladares me animaram as pupilas. Bebamos. À nossa.

Mau - Harold Pinter morreu ontem. Aos 78 anos desaparece um dos grandes nomes da literatura mundial. Em 2005 recebeu o Prémio Nobel da Literatura.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (2)


Bom - A recuperação das Minas da Aljustrel com a correspondente manutenção dos postos de trabalho.
Mau - O encerramento da Faiança Bordalo Pinheiro por falta de encomendas. Triste.
Imagem Faiança Bordalo Pinheiro

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (1)


Bom - A eleição de Obama para o cargo mais influente do planeta.
Mau - A lamentável escolha de um pastor evangélico obviamente muito reaccionário para botar faladura na tomada de posse do homem com o cargo mais influente do planeta.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008

É hora de balanços. Nos próximos dias alumiarei aqui o que de bom me pareceu ter acontecido no decorrer do ano. O que não convenceu também será referido e devidamente vaiado. As candidaturas circulam pela Cultura, Política e outras atitudes. As escolhas são pessoais. Existe livro de reclamações neste estabelecimento.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Voz dos pacientes

Aos domingos, as opiniões dos pacientes que vão chegando via correio electrónico.
A Blusa romena - Tenho a ideia que este é o melhor livro de Mega Ferreira. Tem humor, cosmopolitismo e Vida Literária. Mas considero que o seu melhor ainda está nas crónicas. Não dispenso a leitura dos seus textos naquela revistinha que vem com o DN aos sábados.
João Carlos Malheiro Tropa

Ameaças - O JTD refere em postagem publicada no passado dia 9 que tem recebido ameaças. É normal que hajam ameaças ideológicas, do tipo daquelas que aquele barão da política utilizou em tempos - quem se mete com o PS leva, lembra-se? Claro que para lá da parvoíce da ameaça percebe-se que é uma resposta política. Do mal o menos. Mas quando você fala de ameaças físicas, fala exactamente de quê? Ainda há quem queira impor o medo? Ainda há quem não consiga viver sem esse conceito de perseguição e repressão? Que tristeza!
Maria João Morais

cirurgião de serviço - Já respondi quando informei do destino dessas tropelias. As ameaças cobardes nunca chegarão a incomodar o sossego de quem aqui se desloca. Estejam descansados. "Lixo para o lixo", parece-me uma boa palavra de ordem. Obrigado. JTD

sábado, 20 de dezembro de 2008

Deambulatório

Aos sábados, opiniões escolhidas entre as publicadas nas redondezas.
PSL - O problema da anunciada candidatura do PSL à câmara municipal de Lisboa não é o de vir revelar o quanto é frouxa, e pouco consistente, a liderança da Manuela Ferreira Leite à frente do PSD. Mais coisa, menos coisa, estou habituada a ser sistematicamente desiludida pelo partido com o qual me identifico. Os políticos que julguei sólidos e sérios mostram-se, à primeira oportunidade, pífios, reles, do mais ordinário que há. Veja-se o caso do Durão Barroso. O dito fez-me, pela primeira vez na vida, votar no PSD. Depois, metendo os seus interesses pessoais à frente dos interesses do país, fugiu. O problema da candidatura do PSL à câmara municipal de Lisboa não é, pois, o de vir mostrar que o maior partido da oposição não é uma opção credível para o governo do país. Isso já se sabe. O problema da candidatura do PSL, e é o que me assusta, é o risco, sério, do homem ganhar as eleições e, no seu estilo tão característico, novamente se instalar no poder. Nem quero pensar em tal.
Ana de Amsterdam

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Somos todos suburbanos


Oscar Mourave nasceu no Brasil, mas curiosidades várias levaram-no a conhecer mundo. Já correu Seca e Meca. Agora está em Portugal. Conheci-o há pouco. Ficámos amigos. Aqui há uns dias comunicou-me que se vai instalar em Pamplona. Até quando não sabe. Resolveu então brindar nuestros hermanos com um livro de poesia que reúne dois títulos que nunca publicou. Por isso lhe chama, com a ironia que o abraça permanentemente, ANTOLOGIA. Este "suburbanos" chegou agora por e-mail para me matar a curiosidade e aguçar o apetite para o repasto que o Oscar vai publicar na Estaleiro editora. Aguardemos.

Suburbia IV

Ao contrário do centro da cidade
o subúrbio não tem um ponto
nevrálgico, um epicentro

o subúrbio é um poema sem núcleo
espalha-se

não é como a semente do pêssego
de arquitectura fechada e silenciosa
e tampouco se parece com a gema
de um ovo, aberta e radiosa

o subúrbio é descontínuo
- e descontinua na vida dos seus habitantes

são 18h47 no vermelho digital do relógio
abre a janela, porque o subúrbio começa
a viver.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

...e o voto é secreto


Eis uma "ironia" que se inscreve na perfeição naquilo a que o João Gonçalves chamou a versão Manuela vai com as outras.
Imagem via câmara corporativa.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O melhor bacalhau à Brás de Lisboa


O Restaurante Fidalgo não é uma casa para todos. Há mesmo quem não se sinta lá bem. Não se pense com isto que, para fazer jus ao nome, a fidalga arrogância conquistou o lugar. Nada disso: Fidalgo é nome de família. Os eugénios - Eugénia e Eugénio Fidalgo - são os anfitriões: ela na cozinha; ele a dar ao badalo na sala. Dito isto: o Fidalgo existe e recomenda-se apenas para quem gosta de comer bem. Quem quiser mastigar qualquer coisa arranjará com certeza onde abancar; no Fidalgo não. É por isso que as suas portas são diariamente franqueadas por conhecidos e exigentes gastrónomos. Jornalistas, escritores, artistas, empresários pequenos, médios e grandes, gente de cá e de "lá de fora", vão entregar a sua comensal vontade aos méritos desta equipa que sabe misturar o bem cozinhar com simpatia. A produção é regional, sem a falsa modernidade das confecções em "seus mantos de não sei quê" e "em cama de coisa nenhuma".
É autêntico o que se come ali. E também não se bebe nada mal. A garrafeira da casa não esqueceu nenhum canto de Portugal. É o patriotismo gastronómico a içar a bandeira vinícola.
Está-se lá bem, quando se quer comer bem e passar um momento agradável.
Está-se mal, quando não arranjamos um bocadinho para ir até lá.
E hoje há bacalhau à Brás.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Morrissey


Diz que vai haver um "novo Morrissey" em Fevereiro. Oxalá. Mas enquanto não se confirma o anúncio, vou ouvindo o que já cá canta. Tudo começou com os "The Smiths". Quando o homem se fartou de trabalhar com o grupo, desfez a sociedade e estabeleceu-se com negócio próprio. Depois do trabalho unipessoal apresentado, já se percebeu que o ofício não foi perturbado pela demanda. Um clássico. Off corse.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A nova velha Esquerda

Há aqui qualquer coisa que ainda não percebi. Manuel Alegre agora é da Esquerda o mais à esquerda possível? E é alternativa ao Poder? Finalmente tem "ideias"? Será que está farto de descansar nas bancadas de São Bento? E será que os seus novos amigos se esqueceram do tempo em que o poeta foi Poder? A que se deve este inusitado flirt?
O Tomás Vasques lembra alguns pequenos promenores.

Reconhecimentos


Bush anda a dar as últimas. Foi ao Iraque despedir-se dos iraquianos. Um jornalista, em sinal de reconhecimento, resolveu oferecer-lhe um par de sapatos. Com o entusiasmo, por pouco não lhe acertou no toutiço. Claro que o ainda presidente mas pouco dos EUA não está propriamente precisado de uns vulgar sapatos. Para o homem sair de cena, o que dava mesmo jeito era um par de patins. Era o que os eleitores americanos lhe deveriam ter oferecido logo após o primeiro mandato. O jornalista iraquiano fez o que pôde. Foi generoso. Mas chegou tarde.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Voz dos pacientes

Aos domingos, as opiniões dos pacientes que vão chegando via correio electrónico.
Medina Carreira - Li atentamente a opinião do escritor Eduardo Pitta que fez link aqui, sobre Medina Carreira e não posso estar mais de acordo. Se fosse o conhecido economista a mandar já tinham sido postos na rua milhares de funcionários públicos. Os professores já tinham recolhido à escola. Muitos dos que ficam maravilhados com as suas palavras seriam os primeiros a ir para a rua protestar perante tanta perda de direitos. E nós todos já tinhamos levado em cima com todo o tipo de restrições. O senhor sabe do que fala, mas fala demais. De qualquer forma é melhor assim. Fale, fale à vontade, mas a seguir vá para casa. Não o queiram ver a governar.
João Deodato Lopes

Prémio Pessoa - Sou arquitecto e fiquei contente com o Prémio Pessoa atribuído a Carrilho da Graça. E estou de acordo consigo - Um projecto arquitectónico deve ser útil e agradável. Mas para se ser útil e não decepcionar é preciso muito trabalho. É esse trabalho que agora foi premiado. Cumprimentos.
João Carlos

sábado, 13 de dezembro de 2008

Deambulatório

Aos sábados, opiniões escolhidas entre as publicadas nas redondezas.
Equívocos - Como de costume, muita gente excitada com a entrevista que o dr. Medina Carreira deu ontem à SIC-Notícias. Eu esta não vi, mas tenho visto muitas, a última das quais há menos de um mês, e gosto sempre de o ouvir, porque o dr. Medina Carreira demonstra saber do que fala e fala com desembaraço. Descontado o Apocalipse, aprendo sempre alguma coisa. O mais engraçado é que a maioria dos seus actuais groupies não faz a mais pequena ideia do que o dr. Medina Carreira faria para “meter a casa” (ou seja, o país) na ordem, se tivesse oportunidade para tanto. Continuar a ler
Eduardo Pitta | Da Literatura

Alguém esperava outra coisa? - A reunião entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical dos Professores resultou em… nada! Alguém esperava outra coisa? Já se sabia que o resultado iria ser este, depois de, para uma reunião com “agenda aberta”, cada um dos parceiros partir mais como contendor, tendo anunciado que não fazia cedências, do que como interessado na negociação… Alguém esperava outra coisa, afinal?
A avaliação de desempenho é assunto que já mostrou o que vale: por um lado, pela dificuldade de ser discutida entre os actuais parceiros; por outro, pela ideia peregrina de que ela contribuirá para o sucesso, sem que se lhe adivinhe uma ponta de preocupação formativa; por outro ainda, pela transformação deste processo numa luta política, imposta por políticos, que, eles mesmos, não têm práticas de avaliação (bastará ver-se a confusão em torno das faltas na célebre sessão da Assembleia da República da semana passada!); finalmente, porque, provavelmente, tem que haver sempre a dicotomia entre os “bons” e os “maus”, como se está a ver neste processo, dependendo uns e outros das paixões dos adeptos. A sério: alguém esperava outra coisa desta reunião que houve na tarde de hoje?
Lamento tudo isto. Sobretudo por duas razões: porque os argumentos de parte a parte já cansam e não me convencem; porque a política está a invadir a escola. E todos saem a perder. Lamento tudo isto. Não só por uma questão de respeito (pelas profissões, pelos cargos, pelas instituições, pelas pessoas). Também por uma questão de coerência e de cidadania.
João Reis Ribeiro | Nesta hora

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Carrilho da Graça tem prémio


O Prémio Pessoa 2008 distingue o trabalho de João Luís Carrilho da Graça.
Uma distinção para a Arquitectura, que dá muito jeito ao arquitecto. Útil e agradável, como um bom projecto arquitectónico.

Sons com história


Há sons que nos entram por um ouvido e saem pelo outro. Há outros que nos exercitam bondades de circunstância: os que nos envolvem em demenciais afectos depois de uns valentes copos. Há ainda os que nos afastam. E há sons assim: entram e não saem por muito que o Tempo, o tal escultor, os tente diluir na poeira dos ruídos. É o caso deste que agora aqui trago. Jim Hall é um grande músico. Quando gravou este "lp" tinha eu abandonado os calções há pouco. Foi um dos discos que me sentaram a ouvir Jazz na primeira fila. Hoje percebo que foi um bom começo. A capa e a literatura inclusa deslumbram pela competência e aprumo estético. As edições em vinil tinham a vantagem da dimensão. A versão agora disponível em cd reduz esse prazer, é claro. Mas a música propriamente dita está lá. A gravação é ao vivo. O ambiente é perfeito.
Há coisas que são mesmo assim: às vezes sinto uma irresistível vontade de convocar este Jim Hall para as minhas audições privadas.
É um privilégio.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O mais antigo realizador do mundo


Manoel de Oliveira
faz hoje anos. Quantos? Ora... 100. E então, dá-se por isso? Não? Pois claro.
É muito ano de vida. Há vidas que dão filmes. Ele fez o favor de passar muitas dessas histórias para a História. Foram muitas fitas. Curtas e longas. A preto e branco e a cores. Convocou grandes actores e actrizes, mas também alguns menos grandes. Da sua responsabilidade foram projectadas coisas meditabundas, outras divertidas e outras chatas como a potaça. Acontece aos melhores.
Uma vida muito bem vivida, com muita vida filmada.
Goste-se ou não... é obra.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Laurie Anderson


Tenho andado a ouvir "coisas" que se vão acumulando ali na estante. Esta grande senhora desloca-se com frequência até ao leitor. Chama-se Laurie Anderson. Estou a ouvir e a ver de novo tudo o que tem feito na música e na performance. Também há literaturas qualificadas que dão testemunho da sua excelência.
Anda por aí nas lojas da especialidade. E é mesmo especial.
Um prazer que se renova sempre.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Voz dos pacientes

As opiniões dos pacientes que vão chegando via correio electrónico.
Congresso - Olá: Dou-lhe os parabéns pela sua análise critica ao deslumbramento dos media perante o PCP. Aquilo, todo aquele espectáculo, até a encenação do congresso estalinista é perfeitamente patético.
Cumprimentos.
Lourdes Féria With Bubbles

Mega - Também gostei muito do livro de António Mega Ferreira. Tem razão, é uma história para quem gosta de circular em Lisboa, mas é também uma história do mundo. Tem humor, romance, e, acima de tudo, Literatura. Gosto das suas opiniões e do blogue. Parabéns.
Maria Clara Ferreirinhas

Parabéns - Parabéns por mais um ano de cirurgias!
Mando-te um assunto que devia ter sido alvo de discussão pelos camaradas, mas a direcção não quis touradas no Campo Pequeno.
Os campeões da defesa dos trabalhadores no seu melhor. O BE levou a mesma moção às AM de Almada e Lisboa, o PCP votou a favor em Lisboa onde é oposição e votou contra em Almada onde é poder. Portanto, podemos concluir que o PCP só defende os trabalhadores quando se encontra fora do poder.
Um abraço do
Adelino Chapa Bloguite

Cirurgião de serviço - Todas as mensagens que incluem opiniões fisicamente agressivas, assim como outras igualmente dementes, vão directamente para o caixotinho que os computadores têm no canto inferior direito. O esforço dos grunhos é, aqui na casa, perfeitamente inglório. Mas há sítios onde podem chafurdar à vontade. Vão até lá, ok? JTD

Nota: Excepcionalmente "a voz dos pacientes" não foi postada ao domingo. Outros afazeres se impuseram. Desculpas.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

António Alçada Baptista

1927 - 2008
Homenagem ao escritor, ao editor, ao homem de Cultura.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Deambulatório

Aos sábados, opiniões escolhidas entre as publicadas nas redondezas.
Guerra! - Sinceramente que já cá vai faltando a paciência para o Mário Nogueira porta-voz da casta superior da sociedade portuguesa que não é passível de ser avaliada. E para os jornalistas amorfos, sempre diligentes de microfone permanentemente disponível, a paciência também já vai sendo pouca.
E não é só a mim que vai faltando a paciência, como se pode comprovar na sondagem que o Expresso hoje publica.
José Simões DerTerrorist

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A blusa de Matisse


Que outro vazio se esconde por detrás desta desmedida ambição de fazer História através da pequena história de acidentes e casualidades que é o destino de cada um? Apesar disso, foi um deles que disse ser a História uma "confusão cruel e imbecil", tal como o génio, disse outro, é "uma aposta estúpida". É curiosa a surdez desta espécie aos sinais que os sábios lhes enviam intermitentemente: se os ouvissem, se lhes prestassem atenção, que é uma coisa que muito custa aos humanos porque andam a ouvir-se falar, como crianças que acabassem de descobrir que o barulho que produzem com a voz suscita o deslumbramento dos outros, se prestassem atenção, dizia eu, compreenderiam como a vaidade da História e a ilusão do génio andam de mãos dadas nesta aventura demencial e impossível que é a sua ambição de glória e posteridade. A blusa romena António Mega Ferreira

A história passa-se em Lisboa, mas convoca gente de outras geografias. Ceausescu e o seu fastidioso regime são alumiados. Há um escritor competente, um «caixeiro-viajante de almas» - seja lá isso o que for -, uma rapariga que dança à volta de um varão, e muito mais gente que circula nos ambientes em que todos circulamos quando preferimos Lisboa para circular. O quadro de Matisse que empresta o título ao livro é o motivo de todos os enleios.
Um bom romance que anuncia novas ideias do seu autor. Lê-se com prazer e fornece boa disposição. Gostei muito.

Título: A blusa romena
Autor: António Mega Ferreira
Design: Atelier de Henrique Cayatte com Susana Cruz
245 páginas
Editor: Sextante editora

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Pobre povo

Jerónimo de Sousa está a falar com Judite de Sousa, na RTP1. Aquilo é o quê? Desinformação, falta de honestidade ou "manteiguice eleitoral" pura e simples? É esta criatura que aconchega um capital de simpatia entre o povo trabalhador português?
Pobre povo trabalhador português.

Pregação

Há 5 anos que o Diário Ateísta anda a falar da falta que a religião faz ao mundo: nenhuma.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Que farei com este plano?


As coisas não correm de feição a este senhor. Quando andou por cá, e se previa que tempos difíceis se aproximavam, achou por (seu) bem pôr-se a milhas. Agora, que a rejeição do plano económico salvador que engendrou lhe mina o trajecto, que fará?
Haverá um caminho sem pedras por onde este "orgulho nacional" possa circular tranquilamente?

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Só mais esta

Na entrevista a Mário Crespo, Bernardino Soares, comovido com a eficácia com que os seus camaradas arrumaram o Campo Pequeno logo após o Congresso, esclareceu-nos como seria se os deixassem governar: se a carregar cadeiras e tampos de mesa os comunistas dão cartas, a governar o país imaginem como seria.
Para o alto responsável do PCP governar é assim como carregar volumes de um lado para o outro.
É triste, mas é este "valet de chambre" que lidera a bancada parlamentar do PCP, em vez de andar a carregar caixotes num armazém de revenda.

A espuma dos dias

Os 4 dias que mudaram a informação em Portugal terminaram hoje. Mudaram durante apenas os últimos 4 dias, é bom de ver. Ou seja, ao contrário da lamentação de Vitor Dias, os meios de comunicação foram infectados pelas loas aos amanhãs que cantam. Com primeiras páginas preenchidas e tudo. Ainda agora estou a ouvir o esforçado Bernardino proferir as habituais inanidades, numa entrevista a Mário Crespo. A SIC-N, aliás, mais pareceu uma espécie de Avante televisivo. Agora chega: vão defender os regimes infrequentáveis e as medidas "democráticas" no segredo dos vossos "centros de trabalho". Claro que poderão contar com muitos professores do secundário para as gloriosas arruadas. Mas a democracia continua e tem soluções que não estão inscritas nos vossos catecismos. As medidas que propõem não se ajustam às vontades do povo que tanto dizem amar. Todos conhecemos o fato que nos gostariam de vestir. A espuma dos dias está preta. Mas não precisamos do vosso detergente para nada.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ironias

As ideias, o Estado e o estado das ideias


O Campo Pequeno foi renovado. Agora, para além de touradas com touros e tudo, é possivel a realização de grandes concertos de bandas musicais e também manifestações religiosas. Hoje termina um dessses grandes acontecimentos. Os pastores de almas ocuparam o púlpito realçando a força dos principios marxistas-leninistas. Odete Santos, que já atingiu o estatuto de poder dizer as "verdades" que lhe vierem à cabeça, teve lugar reservado na tribuna, durante o tempo que lhe apeteceu. O povo do PCP emocionou-se com a camarada Odete. O discurso exaltado e cheio de metáforas miserabilistas faz correr lágrimas de comoção. Honra-se o "socialismo". A crise alimenta a fé que os move.
O sinistro Vitor Dias, agora apeado da estrutura central, fala fora do recinto à comunicação social que ainda tem paciência para o ouvir pronunciar-se sobre a "razão" de o PCP ser o dono da Esquerda. Sente-se bem com a sua própria exclusão. É o tradicional cinismo militante.
Também falou uma professora: a luta é contra o Governo e as suas políticas de direita. Ouvimos esta conversa da treta já lá vão quase quarenta anos. A novidade é que agora todos os professores são do PCP. Também falaram os Bernardinos, os Agostinhos e muitas outras criaturas em delírio contra o sistema.
Hoje é o dia do aprazado culto que aclamará o novo sínodo. O cardeal Jerónimo apresentará mais uma vez o seu refervido discurso, com aquele ar de enfado, ou de grande sofrimento, de quem passa a vida constrangido com o mau estado de todas as coisas.
O Campo Pequeno está preparado para os grandes eventos. Ali podem realizar-se os futuros encontros das testemunhas de Jeóvá, da igreja universal do reido de deus, de concertos dos Tonys com triunfantes carreiras e de outros acontecimentos, uns mais apreciáveis, outros nem por isso. Basta pagar e a porta abre-se. É bom haver nuitos e bons locais para a expressão de cultos e ideias.
É bom para o estado das ideias.
E há ideias em muito mau estado.
+