segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Bom 2008

O que lá vai, lá vai.
Que o que aí vem traga tudo de bom para todos.
Até amanhã, ou seja, até pró ano, ou por outra, até já.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Perspectivas e realidades


Não sou de balanços. Os últimos dias do calendário não me motivam nem retrospectivas análises, nem promissoras previsões. A minha participação, aqui, na blogosfera, limita-se a um desabafo mais ou menos diário sobre o que observo. Vale o que vale. Pouco, é certo. Daí não entrar em grandes alaridos premonitórios. Não me reconheço essa capacidade. Mas estou de acordo com muitos que pensam e fazem exactamente o contrário. Ainda bem que o fazem. Também estou de acordo com o que diz o blogger José Pacheco Pereira, hoje, no Público: “…os blogues serão apenas mais uma câmara de ressonância da pobreza da nossa vida cívica”. Tem razão. Agrupando práticas de comunicação e opinião obtemos um espelho da sociedade. Sempre foi assim. Mas há coisas mais assim e coisas mais assado. Os dias da blogosfera mudaram qualquer coisa no debate dos nossos dias. Para o bem e para o mal, existem estes jornalinhos pessoais. A importância que se lhes dá também é pessoal e depende de opções e gostos.
Eu gosto de estar aqui.
Vou continuar a largar postas porque me apetece e porque sim.
Sem mais.
Bom ano a todos.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Agitação

A Sofia Loureiro dos Santos, do defender o quadrado, exerce medicina e resolveu pôr o dedo nas feridas que o Ministério da Saúde abriu.
Eu estou de acordo com ela.

Continua a manipulação política e jornalística em volta dos encerramentos dos Serviços de Atendimento Permanentes (SAPs).
Às notícias que dão conta das contas que os doentes terão que pagar aos bombeiros voluntários para ir à urgência mais próxima, não há ninguém que pergunte se os valores não serão idênticos aos que eram pagos quando os doentes que verdadeiramente necessitavam de cuidados de urgência tinham que ser enviados para o hospital. E também ninguém pergunta quantos doentes verdadeiramente urgentes eram atendidos nos SAPs e quantas situações verdadeiramente urgentes eram tratadas nos SAPs.
Porque essa é a verdadeira questão. Se as populações com os SAPs abertos toda a noite, com um médico e/ou um enfermeiro num local sem capacidade para resolver problemas urgentes de saúde estavam mais bem atendidos ou teriam melhor qualidade e maior brevidade no atendimento.


Continue a ler, lá no blogue da Sofia. Pode ir por aqui.

Este tótó já foi ministro, lembram-se?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Pelo amor de Deus


Benazir Bhutto, líder da oposição paquistanesa, foi vítima de um ataque à bomba, durante um comício na cidade de Rawalpindi. Um dos seus objectivos políticos era a pacificação do seu país sem o recurso exclusivo à religião. O fundamentalismo religioso não achou grande graça à rejeição do totalitarismo islâmico. Mais uma vítima da fé. E ainda há quem diga que é a falta de fé o maior drama da humanidade.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Desporto milionário

Os bancos portugueses estão a disputar um emocionante campeonato. Os orientadores das equipas são tranferidos, em milionárias negociações, tal e qual como os treinadores de futebol nos grandes clubes. Accionistas do BCP foram buscar à CGD, principal adversário do banco privado, o seu responsável máximo. O “treinador-adjunto” é um tal Armando Vara, desportista para todo o terreno. Tudo o que tem acontecido na instituição bancária de Jardim Gonçalves está muito próximo do vergonhoso. A vergonha começa a estar ao nível do pior a que os homens da bola nos habituaram. É claro que tudo isto irradia normalidade. A gente é que não percebe nada destes futebóis.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Negócios de Natal

Afinal o desemprego, o fosso entre ricos e pobres, as doenças dizimadoras, as desordens climáticas, o Darfur e a crise mundial provocada pelo 11 de Setembro, não devem ser as nossas maiores preocupações. Segundo o Cardeal Policarpo, "o maior drama da humanidade" é o afastamento da religião.
Cada um preocupa-se com o seu negócio.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

24 Preludes for a Fugue

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

O homem em queda



O sopro do desabamento atirou ao chão várias pessoas. Uma nuvem negra de trovoada feita de fumo e cinza avançou na direcção dos fugitivos. A luz definhou e dissipou-se, o dia claro desapareceu.

Don DeLillo escreveu um emocionante romance sobre os acontecimentos de 11 de Setembro em Nova Iorque. Relatos de vidas, de crenças e de falta delas, encantos e desencantos. A partir da queda das torres traça um emaranhado de acontecimentos que nos dão pistas para a compreensão dos dramas do nosso tempo resultantes daquele dia.

O homem em queda, de Don DeLillo
É publicado pela Sextante.
Tem 255 páginas.
Capa de Henrique Cayatte com Susana Cruz.
Custa 22 euros (preço de editor).

domingo, 23 de dezembro de 2007

No Tempo da Esperança-Nova


Luciano Rocha fala de um tempo de esperança. Chamou-lhe esperança-nova porque não é uma esperança daquelas que a gente tem todos os dias. É uma vontade diferente de acreditar num rumo para um futuro melhor. Essa vontade era a de todos os angolanos que içaram a bandeira da Angola independente. Este livro está metido até ao pescoço na história recente de Angola. É tudo contado num bonito “linguajar” (expressão que Victor Bandarra encontrou para classificar esta escrita, na apresentação do livro, no Clube dos Jornalistas). São três histórias envoltas por esse linguajar. Estão lá os desejos, as angústias, as festividades, as traições. É um texto feito com lingua de perguntador. Só quem pergunta é que pode contar. Foi o que Luciano fez. Contou o que viveu. E o que viveu foi tão intenso que ler este livro é um prazer de todo o tamanho.

O título do livro é No Tempo da Esperança-Nova
e Outras Estórias
.
Foi escrito por Luciano Rocha.
A capa e a contra-capa têm ilustrações de Zan.
Edição de QB-Comunicação.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Todos diferentes, todos jornalistas



São os três jornalistas. Todos com um percurso. Com tarimba nos quartéis das redacções dos jornais. Os livros que estão aí em cima fotografados foram escritos por eles. Todos diferentes, tal e qual como os seus autores.

A BOLSA DA AVÓ PALHAÇA
Baptista-Bastos escreve uma história para crianças para ser lida pelos adultos. A ideia é bem gira e revela as façanhas de um miúdo de Alfama na sua relação com uma avó a que chamavam Palhaça. A senhora adorava a alcunha, e BB conta-nos como foi importante para ele aquela convivência. Mónica Cid ilustra.
Uma bonita história.


ATÉ NÃO PERCEBER
15 Histórias de Verdade A Caminho da Ficção
Fernanda Câncio também nos conta histórias neste livro. Reuniu aqui as conversas que foi tendo com os protagonistas das reportagens publicadas na imprensa. O titulo do livro foi retirado de uma excelente peça sobre Jorge de Sena. Já se sabe que muitas vezes a realidade pede meças à ficção. Afinal, quem é que está convencido de que já percebeu tudo?
Fernanda assegura que “não há outra forma de fazer uma reportagem senão mergulhar nas histórias, nos sítios, nas pessoas”.
É isso que ela faz. E muito bem.

FUMO
Deixar de fumar é lixado e mais 80 lições que eu vivi
Pedro Rolo Duarte ficou convencido de que deixar de fumar é mesmo lixado. Neste livro conta-nos como foi a sua perturbada experiência. Pelo caminho faz um relato do dia-a-dia. Tudo misturado com lições e outras histórias já anteriormente publicadas. Não pretende ser o viciado desgraçadinho. O coitadinho. Nem pretende ser exemplo para ninguém. Afinal, quem é que está convencido de que já percebeu tudo?
A vida é muito mais interessante. E é de vida bem vivida que este livro trata. Gostei muito de ler este livro do Pedro.

Luuanda


O muito reeditado livro de Luandino Vieira, agora de novo publicado pelas edições 70, acompanhado por desenhos de José Rodrigues.
Lindíssimo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O que não mata engorda

Os donos de certas casas de pasto receberam mal a criação da ASAE. Esta entidade censora da porcaria que estavam habituados a fornecer-nos deu-lhes a volta à cabeça. Agora, a tenebrosa entidade, já comparada à não menos tenebrosa PIDE dos tempos da ditadura, resolveu pôr os pontos em alguns is. O resultado trouxe paz aos utentes que assim viram algumas vantagens na coisa.
Tenho amigos entre os apavorados com a acção da nova polícia e também os tenho entre os que a aplaudem. Um desses meus amigos é responsável por uma empresa de distribuição de gás. Dizia-me que a ASAE os obrigava a ter, no lugar de arrumação das botijas, um espaço limitado a um número máximo de unidades. E que a inclusão de mais uma que seja os sujeita a penalização. Assim de repente parece zelo excessivo. Mas se pensarmos que onde cabe a botija de gás de um português cabem logo duas ou três, duvidamos do excesso da medida.
No dia em que me demonstrarem que a ASAE não me deixa tomar café em chávenas de loiça, beber vinho em copos de vidro, comer pastéis de massa tenra ou de bacalhau, e me obrigar a suportar o plástico em todas as ocasiões de prazenteiro repasto, nesse dia tragam-me a mais violenta das petições contra. Assino de imediato. Até lá não contem comigo.
A velha dica popular garantia-nos que “o que não mata engorda”.
Essa certeza não faz parte dos meus códigos.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Aventuras ilegais

É tão fácil classificar aqueles candidatos a emigrantes que se meteram num barquito para chegarem a Espanha. São ilegais, diz-se. Não pensamos nos dramas que por ali flutuaram desafiando perigos terríveis. São ilegais e pronto. Vão andando. Reencaminhados para a origem onde lhes é rejeitada a felicidade. Tentaram a sorte. Uma sorte boa que os tirasse da miséria. Correu mal a aventura. São uns fracassados. Nasceram num sítio mau. Desenrasquem-se. A vida é uma aventura. Às vezes corre mal.
A vontade que a gente tinha de lhes dar uma ajuda. Mas não há legalidade que nos ajude. Uma merda.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Sarkosi/Carla


Sarkosi anda a namorar com Carla Bruni.
Quem é que disse que esta malta da Direita tem mau gosto?
Eu? Ok, retiro o que disse.

A loja do mestre André



Os desenhos de André Almeida e Sousa são cumplices de algo inusitado. Percebe-se que há uma energia que ultrapassa o rigor do primeiro registo. Os desenhos, agora expostos na Galeria Alecrim 50, exibem uma dualidade que nos surpreende. Não sei se é de desenho que falamos quando falamos do que aquelas paredes nos mostram. A Pintura, como maneira de expressão subjectivista, marca aqui uma posição. Há um envolvimento naturalmente cúmplice entre as duas disciplinas. As texturas que o denunciam são aplicadas com um sentido do espaço que nos situa no território da provocação da própria abstracção. Isto não é linear, como é evidente. Nada é evidente e esclarecedor na procura da comunicação artística. Mas é revelador de uma busca intensa e bem direccionada.

O trabalho que acima se mostra não está à vista nesta exposição.
É testemunha de outro tempo. Mas eu gosto muito dele.
É por isso que aqui está.

A Galeria fica, como o próprio nome indica, na Rua do Alecrim, no número 50, em Lisboa.
A exposição encerra dia 28.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Jardins proibidos

Baptista-Bastos vai ser julgado por se ter pronunciado, em artigo de opinião, sobre as atitudes pouco apreciáveis do dirigente madeirense. Lembro-me do artigo em causa. Foi publicado há cerca de dois anos. Desancava, com argumentos perfeitamente consentâneos com o exercício da democracia, o político também conhecido por soba do Funchal. A opinião expressa pelo escritor em nada se pode comparar ao estilo exuberante no insulto a que o líder do PSD/Madeira nos habitou. Mas parece que o desbocado Alberto João deu em donzela ofendida e convocou os seus zelosos defensores para corrigirem o reparo de Bastos. Só agora foi possível.
É normal. Provavelmente os jornais chegam tarde à Madeira. Ou não são por lá distribuídos. Democracias.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Niemeyer


A gente tem é que sonhar, senão as coisas não acontecem

Oscar Niemeyer, hoje com 100 anos, ainda é comunista e provavelmente ainda acredita no Pai Natal, mas é um grande arquitecto. E a Arquitectura está de parabéns.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Minotaur Shock


O projecto responde por Minotaur Shock. Este trabalho foi gravado em 2005 e tem por título Maritime. Todas as músicas são de David Edwards. Os amigos que ajudaram à festa foram Emily Wakefield, Megan Childs e Martin Lanchester. A estética do CD foi entregue a Vaughan Oliver e a ilustração a Warwick Johnson-Cadwell.
Tudo isto é muito bonito. Em todos os aspectos.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Há bruxas em Veneza


Philip Glass garante-nos, com este trabalho, que as bruxas têm uma magia musical. Estas bruxas de Veneza foram ao carnaval. Glass e Beni Montresor (entretanto falecido e a quem o CD é dedicado), testemunharam a paródia e transmitem em palavras e sons o reboliço que aquilo foi. Brilhante, acho eu. Confirmem no sítio de Philip Glass.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Saramago e o bacalhau


José Saramago foi preterido na candidatura a um prémio europeu de literatura por causa de um tal Lara, então secretário de Estado da Cultura. Era primeiro-ministro Cavaco Silva. Também a Câmara de Mafra se tem recusado a reconhecer o escritor que tão longe levou o nome do monumento nacional que mais faz jus a esta classificação. Mais recentemente, Saramago zangou-se com a Ministra da Cultura de Portugal por esta não ter ido a uma exposição sobre a sua vida e obra, inaugurada em Espanha. Um dia destes, o hipotético rei de Portugal, bramou uns disparates sobre a obra do nobelizado escritor português. Parece-me que há excessos das várias partes. Lara é reconhecida e assumidamente reaccionário ao ponto de não permitir grandes ousadias culturais. É bom ver que já não pesca nada nas instituições. O “rei” Duarte é, ele próprio, uma ficção de má qualidade. Nada a dizer. Mas parece-me excessiva a recusa de Saramago em cumprimentar o agora Presidente da República. Assim como não me parece de muito bom tom a atitude do escritor e da sua mulher na acusação à ministra, sabendo-se que o Estado estava representado pelo embaixador em Espanha.
Agora, quanto ao recente recuo no caso do reconhecimento por parte do presidente do burgo de Mafra, a coisa tem a sua graça. O homem justifica a medalha de mérito da cidade devido à contribuição do livro Memorial do Convento para a divulgação do monumento. A arrogância e o pato-bravismo do autarca Ministro dos Santos conhecem-se. Esta justificação é redutora e parola. Mas para estes autarcas basta. Saramago foi reconduzido numa espécie de assessoria de turismo da Câmara de Mafra. O escritor vai receber a distinção. E se calhar até vai apertar a mão ao presidente. Devia rever a politica de distribuição de bacalhaus. No lugar dele, eu logo lhes dava o bacalhau.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Sabores do Índico


Maria Fernanda Sampaio foi reunindo receitas ao longo da vida. Viveu em Moçambique e saboreou tudo o que aprendeu naquela terra. O poeta Fernando Luís Sampaio, seu filho, tratou de editar o material que herdou. A Assírio e Alvim publicou. Uma saborosa herança, agora ao nosso dispor.
Indispensável para qualquer gastrónomo.

Sabores do Índico
Receitas da cozinha moçambicana
Recolha: Maria Fernanda Sampaio
Escolha e apresentação: Fernando Luís Sampaio
Fotografias de Moçambique: Tiago Cunha Ferreira
Edição: Assírio e Alvim
114 páginas

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Abrir as portas do São Carlos

Chistoph Dammann, em entrevista ao Público, parece um homem entusiasmado com o seu trabalho. Foi bom saber isso. Aposta na continuidade. Virtude a que estamos pouco habituados. Aqui, quem inicia um trabalho tenta demonstrar a todo o custo que quem lá estava anteriormente não sabia o que estava a fazer. Dammann falou com Pinamonti. Entenderam-se. Agora é andar para a frente. Ou seja, tratar de conduzir os destinos do único teatro de ópera em Portugal com o entusiasmo e sinceridade que revela nesta conversa com Cristina Fernandes e Pedro Boléo. Às tantas diz: “ Desde que a ópera foi inventada, em Florença, que é cara. Temos de convencer o Estado de que é preciso mais dinheiro, e que nunca se irá ganhar dinheiro com a Ópera. Mas creio que, no São Carlos, estamos no bom caminho”.
Assim parece.
Boa sorte.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Avante camaradas

A Cimeira que envolveu europeus e africanos já lá vai. Agora é esperar pelos resultados, se é que os vai haver. Gente daquela não suscita entusiasmos de maior. O primeiro-ministro está contente. A oposição nem por isso. É a vida. No meio da balbúrdia das manifestações a favor dos ditadores criminosos e as opiniões contra, fizeram-me espécie as declarações de Jerónimo Sousa. O dirigente comunista exigiu, indignado como sempre, que a Europa esqueça a dívida externa de África, subinhando que são eles que devem escolher o seu próprio caminho sem passar cartão aos hipócritas europeus. Calhando até concorda com o pedido de indmenização feito pelo ditador líbio. E percebe-se que está solidário com o libertador Mugabe. É esclarecedor ver estes grandes defensores das liberdades e dos direitos dos cidadãos em encaloradas declarações de solidariedade. Avante camaradas.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Memórias ao vivo


Tudo começou nos anos sessenta do século passado. Chico Buarque pôs a banda a passar pelas rádios e gira-discos um pouco por todo o lado. Agora, já a passar os sessenta de idade, e depois de um período em que optou pelo silêncio das histórias contadas em livro, ainda nos surpreende com exibições destas.
Esta gravação ao vivo é uma boa companhia.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Uma desgraça nunca vem só


Daqui a umas dezenas de anos, zonas populacionais de Lisboa e de outros territórios nacionais, poderão ficar ameaçadas por violentas cheias. A previsão é da OCDE. Luísa Schmit, em entrevista a João Adelino Faria, no RCP, Falou da pouca importância que as autoridades dão a estes assuntos. Mencionou o facto de Gonçalo Ribeiro Teles andar a prever situações de rotura há décadas - Incluindo as cheias de 1967, em Lisboa -, sem precisar da opinião da OCDE. Ribeiro Teles, que se saiba, não é bruxo. Possivelmente nem acredita em fatalidades do destino. Conhece o terreno e sabe do que fala.
Nos dias de hoje só a juventude e a eficácia da efemeridade estão na moda.
É pena. Estes velhos em desuso tinham tanto para nos ensinar.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Tanto barulho...

Afinal parece que a crise na Câmara de Lisboa se resolveu com um ligeiro aperto de mão. Tudo não passou de uma crise ligeira. As ameaças, que atingiram contornos de grande conflito, foram diluídas pelo bom-senso. Em politica é razoável que os entendimentos existam. Mas nem sempre a politica é razoável. Temos que nos habituar. Teremos?

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

E não se pode... responsabilizá-los?

O PSD meteu Lisboa numa grande alhada. Mas parece que gostou do serviço. Houve até quem lhe tivesse chamado “obra”. Ao querer inviabilizar a resolução de uma parcela da imensa obra que deixou a meio – a dívida a fornecedores - o partido de Menezes quer conferir seriedade e responsabilidade à oposição. O secretário-geral, aquele que nos forneceu as tácticas infalíveis para o engate de “gajas boas”, já disse: “Confiamos no sentido de liberdade e de responsabilidade dos nossos deputados na Assembleia Municipal, que deverão dar seguimento ao sentido de voto dos vereadores que chumbaram este empréstimo. Se houver votos em sentido contrário, analisaremos e tomaremos medidas adequadas. Claro que vão ser tiradas ilações politicas”.
Que grande liberdade e que grande sentido de responsabilidade.

Lição de aritmética

Chavez não convenceu a Venezuela de que é o antídoto para todos os seus males. Mas fez questão de referir a margem mínima de venezuelanos que lhe disseram não. Três milhões de gente é pouca gente para o candidato a líder vitalício. Ora, se ele até já ajustou a hora a uma sua própria medida do tempo, provavelmente rege-se por uma aritmética que não condiz com a dos vulgares seres humanos. E é essa aritmética que vai impor aos destinos do pais. Tão certo como um mandato mais um mandato serem dois mandatos. E assim sucessivamente.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

In our nature


Difícil, esta simplicidade.
Muito bom, ouvir José González.
+